UM DOCE REMÉDIO
Novo estudo conduzido pela Universidade de Oxford confirma a ação medicinal do mel nos tratamentos de tosse e dor de garganta
ADRIANA DIAS LOPES
UM HOMEM pendurado em um cipó, em esforço tremendo para coletar o mel de abelhas selvagens em uma colmeia aparentemente inalcançável. Muito provavelmente, eis a representação mais antiga da deliciosa substância dourada e viscosa, ilustrada em uma pintura rupestre nas cavernas de Araña, em Valência, na Espanha, há 8000 anos. Na Mesopotâmia, uma tábua de argila datada de 2000 a.C. traz uma receita para feridas do corpo: “Moer até que a areia do rio vire pó e amassar com água e mel, azeite puro e óleo de cedro e aplicar quente”. Poucos compostos naturais são reconhecidos como produto terapêutico há tanto tempo na história da humanidade. Os diversos (e bons) efeitos do néctar de flores processado pelos insetos acompanham as gerações em receitas caseiras. Faltavam apenas evidências científicas para comprovar a intuição. Finalmente elas surgiram.
O mel age contra sintomas de resfriado, como tosse e dor de garganta, atestou um trabalho conduzido pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, a partir dos resultados de catorze pesquisas que envolveram mais de 1700 pessoas. A conclusão: o alimento pode ser tão ou mais eficaz que os antibióticos. O levantamento mostrou ainda que as bactérias não criam resistência ao mel. Um dos grandes problemas atuais é o fortalecimento desses microrganismos, devido ao uso indiscriminado de antibióticos. (...)
Os pesquisadores afirmam, contudo, ser necessário realizar novos estudos para confirmar a descoberta – e não se trata, evidentemente, de sonegar a eficácia de produtos farmacêuticos. O mel, porém, já entrou nas diretrizes de saúde de órgãos regulatórios de alguns países. (...)
(Veja – 2/9/2020)
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