Um lugar-comum pode ser reconfortante. Mais do que incomodados, não poucos se sentem mais inteligentes quando flagram um chavão na boca ou na escrita alheia. Assim também muitos sabem que o mundo ainda está no lugar quando esbarram com algo já superado, mas familiar, como quem ri da própria infância ante o mais surrado patinho de borracha, o mais óbvio pinguim de geladeira. Talvez por isso, embora não seja preciso procurar muito para achar um, só nos damos conta de um clichê verbal quando adotamos certo estado de vigilância, leve que seja: a atenção migra, então, do assunto expresso para a linguagem que o expressa.
(Revista Língua, edição 54)
Segundo o texto, o que justifica o caráter “reconfortante” do clichê é