Uma das coisas mais importantes da ficção literária é a possibilidade de dar voz, de mostrar em pé de igualdade os indivíduos de todas as classes e grupos, permitindo aos excluídos exprimirem o teor da sua humanidade que, de outro modo, não poderia ser verificada. Nas histórias de Malagueta, Perus e Bacanaço, João Antônio nos joga no universo noturno de São Paulo, mas de uma certa São Paulo, construída ao redor de alguns marginais moídos pela vida, procurando um jeito de sobreviver por meio da trapaça, da esperteza e da brutalidade. Outros, como João Antonio, terão sabido divisar a violência e a desigualdade dos centros urbanos, seja na Curitiba de Dalton Trevisan, seja no Rio de Janeiro de Rubem Fonseca.
(Baseado em CANDIDO, Antonio. O albatroz e o chinês. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2010. pp. 208 e 209)
A trapaça e a esperteza costumam ser atributos associados aos malandros, também considerados vadios. A “vadiagem” foi duramente combatida no Brasil, durante o Estado Novo, pois