“Uma pessoa olha o mapa e fica logo cansada. E, no entanto, parece que tudo ali está perto, por assim dizer, ao alcance da mão. A explicação, evidentemente, encontra-se na escala. É fácil de aceitar que um centímetro no mapa equivalha a vinte quilômetros na realidade, mas o que não costumamos pensar é que nós próprios sofremos na operação uma redução dimensional equivalente, por isso é que, sendo já tão mínima coisa no mundo, o somos infinitamente menos nos mapas. Seria interessante saber, por exemplo, quanto mediria um pé humano àquela mesma escala, ou a pata de um elefante. Ou a comitiva toda do arquiduque maximiliano de áustria".
SARAMAGO, José. A viagem do elefante. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.159
No trecho acima de A viagem do elefante, o narrador conta a história de Salomão, um elefante, presente do rei D. João III ao arquiduque Maximiano, e a longa viagem empreendida pelo animal e seu cuidador, Fritz, pela Europa até a Áustria. O trecho extraído do livro traduz o posicionamento cético do narrador diante do(a)