V
No comum o índio é sovina e egoísta. Tudo o que faz é em troca de pagamento e fica enfezado se não faz compra ou troca, sempre desconfiado, agindo de má-fé para com o branco que o ajuda.
É muito difícil o índio ter afeição sincera pelo branco, havendo, contudo, exceções. Pode ser criado por ele desde tenra idade, lhe dever a própria vida, que na ocasião oportuna pagar-lhe-á com a fuga, a intriga ou a traição, abandonando-o sem piedade ou gratidão.
As índias, quando vivem com seus irmãos de raça, sempre são fiéis. Se vivem com homem branco, respeitam-no. Verdade é que o branco, principalmente o garimpeiro, só a quer para criada e máquina de fazer filho, abandonando-a e às crianças, quando sai do garimpo. Há exceções, entretanto.
VI
O índio é, de todos os brasileiros, o mais feliz. Não tem responsabilidade perante ninguém, não tem noção de dignidade, de honra, de amor fraternal, filial ou paternal, pois do contrário não abandonaria a família nem trocaria os filhos por uma espingarda, um saco de sal, concertina, um poldro ou uma novilha. Vende a criança e depois vive aperreando o branco, pedindo-lhe pagamento sem querer trabalhar. É desleixado, teimoso, guloso e pouco asseado (os do sertão, pois os da cidade são limpos). Toma banho sem sabão, de maneira que sua roupa encracada cai de velha. Não gosta de aprender bons costumes dos brancos, porém, os maus assimila-os logo, pois é inteligente. [...]
MACAGGI, Nenê. A mulher do garimpo: um romance do extremo norte do Amazonas. 2ª ed. Boa Vista: Gráfica Real, 2012. p. 152.
A partir da leitura da obra é FALSO o item: