Viu a planta num jardim e achou-a interessante. Informou-se do nome dela. Chamava-se hera, hera com h.
O nome soou-lhe igualmente interessante. Tanto que resolveu comprar uma muda da dita cuja para plantar em seu canteiro. Bateu para uma casa do gênero.
Na flora, ao ser atendido, embatucou-se diante da vendedora. Esquecera o nome da planta. Sem graça, teve de fazer o pedido dando as características do vegetal:
– A senhora tem muda de uma planta de jardim, com folhas arredondadas, que aderem à superfície de muros...
A vendedora voava:
– O senhor não tem a menor ideia do nome dela?
Ele puxava pela memória, mas o que lhe vinha era algo inconsciente, esgarçado (...)
– Bem... o nome se parece com foi, vai, fico...
– Já sei. É fícus – sentenciou a vendedora.
Quis irritar-se com a burrice da mulher, mas se conteve lembrando de que mais estúpido é quem vai comprar algo e esquece o nome da mercadoria.
Nisso a vendedora perguntou-lhe:
– Essa planta, por acaso, não era buganvilie?
Ao ouvir a palavra “era”, ocorreu-lhe o nome.
– Hera! Eis o bendito nome.
E a vendedora:
– Então era um buganvilie?
– Não. Era uma hera.
– Ah, meu Deus! Era uma hera.
– Era.
(...)
(João Caetano Canela – “Meu Tempo” – ERA OU NÃO ERA HERA – PP. 43-44)
O autor usou como tema de sua narrativa uma questão linguística envolvendo: