Você certamente já deve ter ouvido falar do PIB, que quer
dizer Produto Interno Bruto. E ele é exatamente o que sua
sigla diz: a soma de todos os bens e serviços produzidos em
um local em determinado período. (...) É ele que indica o
grau de atividade econômica de um lugar.
Durante muito tempo, especialmente na época do regime
militar, os governantes brasileiros gabavam-se de que Brasil
tinha o oitavo PIB do mundo (...) e temos conseguido vitórias
importantes na esfera do comércio internacional.
Diz-se que, pelo PIB, é possível saber se um país é
desenvolvido ou não. Mas somente esse dado não basta
para analisar a economia. Por isso os economistas utilizam
também o PIB per capita, que é a soma de tudo o que a
economia de um país produz dividida pelo número de seus
habitantes.
No entanto, ainda estamos falando de economia, e um país
é formado por pessoas de carne e osso. Assim, o PIB per
capita também está longe de ser satisfatório para uma
análise mais realista.
Se, ao invés do PIB, que mede apenas aspectos econômicos,
utilizarmos como parâmetro de nosso desenvolvimento o
IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que leva em conta
uma série de outros fatores importantes para a qualidade de
vida, notaremos que ainda falta muito a fazer para que o
Brasil se torne, de fato, a sexta potência mundial.
(...)
Só teremos uma noção mais exata do desenvolvimento de
um país se verificarmos seus indicadores sociais. Muito mais
que os indicadores econômicos, são eles que mostram as
condições em que a população vive.
Há uma série de estatísticas que apresentam a diferença
entre o desenvolvimento econômico e social. A mais
reveladora delas é a taxa de mortalidade infantil. Ela revela
bastante sobre as condições de saúde de um povo, pois
está relacionada com nutrição, saneamento básico e
habitação. Esses dados dão uma ideia mais realista do poder
aquisitivo da população e de suas condições de vida. Por
isso, podemos ver que o orgulho do PIB brasileiro não tem
muito sentido.
DIMENSTEIN, Gilberto.A ilusão dos números. O Cidadão de Papel, São Paulo:Ática, 24 ed. p. 58
Para o autor do texto, os indicadores que mais importam na avaliação da qualidade de vida de um povo estão bem mais expressos em