Voz do Outono
Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da Natureza:
– “Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima soidão1,
Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel devesa2,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da Ilusão!
Mais valera à tua alma visionária
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba3 vária,
(Sem ver uma só flor, das mil, que amaste)
Com ódio e raiva e dor... que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!” –
(Antero de Quental. Antologia, 1991.)
Considerando-se a temática do poema, é correto afirmar que ele exemplifica a poesia de