A aquisição de novas tecnologias permitiu o desenvolvimento de diversos setores do Brasil, o que facilita a obtenção de conhecimentos e conteúdos de forma rápida e prática. Contemporaneamente, o cinema é um dos setores do país que se expande ao longo dos anos, transmitindo informações aos diferentes públicos. Entretanto, o acesso ao cinema ocorre de modo desigual entre os indivíduos presentes na sociedade brasileira. Nesse contexto, essa diferença no acesso aos recursos cinematográficos persiste interpenetrada no país como subproduto da desigualdade entre as classes e regiões brasileiras e da alienação social diante desse panorama.
Em uma primeira perspectiva, a desigualdade histórica brasileira apresenta íntima relação com a existência desse cenário. Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, em sua obra "Contrato Social", a desigualdade social surgiu com base na noção da propriedade privada e na disputa por poder e riquezas entre os indivíduos. Essa ideia encontra-se materializada no processo de formação histórica do Brasil, o qual foi marcado pela disputa por riquezas entre as regiões e grupos sociais, instaurando um cenário de desigualdade que dificulta o acesso ao cinema pelos grupos menos favorecidos financeiramente. Dessa forma, é indubitável que as disparidades existentes entre as regiões e classes dificultam a democratização do acesso ao cinema, uma vez que apenas as regiões desenvolvidas apresentarão os recursos financeiros necessários para comentar a instalação de cinemas.
Em uma segunda análise, a alienação social contribui para a persistência da disparidade no acesso ao cinema. A filósofa alemã Hannah Arendt, em "Banalidade do Mal", refletiu sobre o resultado do processo de massificação da sociedade, o qual forma os indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados e aceitando as situações sem questionar. O pensamento da filosofia está relacionado ao contexto de alienação da sociedade brasileira no qual os sujeitos sociais se calam diante das questões que prejudicam grupos menos favorecidos, desconsiderando a importância de determinados recursos, como acesso ao cinema, para o cumprimento de direitos sociais. Nesse contexto, é essencial superar esses paradigmas que prejudicam diversos indivíduos.