No século XX, a Escola de Frankfurt se aplicou sobre o estudo das tecnologias na disseminação da cultura. Sob esse viés, esperava-se que as massas tivessem um acesso mais democrático aos bens culturais, dada a ampla presença do meio técnico-informacional entre a população. No Brasil, contudo, tal expectativa não se efetivou, haja vista as dificuldades relativas à democratização do acesso ao cinema, demandando a intervenção governamental acerca dessa problemática. Ademais, é preciso entender a importância do cinema no contexto da plena cidadania, bem como a razão de o consumo desse bem não ser totalmente inclusivo.
A princípio, nota-se o papel significativo do cinema na vida dos cidadãos, pois essa modalidade artística, enquanto representação da realidade, serve para formar o pensamento crítico dos indivíduos. Nesse sentido, o Cinema Novo exemplifica bem tal perspectiva, uma vez que denunciava as mazelas sociais das décadas de 1960 e 1970, impulsionando o engajamento dos brasileiros em prol da liberdade de expressão e da garantia de seus direitos. Assim, constata-se que esse bem cultural é demasiadamente importante para fomentar a cidadania por meio do diálogo entre a arte e a sociedade, evidenciando a premência de ser democratizado.
Simultaneamente, percebe-se que o acesso ao cinema, no Brasil, vai ao encontro das desigualdades socioespaciais típicas do país. Isso porque as regiões Sul e Sudeste têm sido privilegiadas em detrimento das outras desde o período colonial, porquanto os ciclos desenvolvimentistas, como o da cana-de-açúcar, o do ouro e o do café, favoreceram a concentração de riquezas e, portanto, de infraestrutura. Consequentemente, a oferta de lazer também é desigual, o que exclui as populações já marginalizadas historicamente da disseminação cultural através do cinema.
Diante do exposto, fica clara a necessidade de democratizar o acesso a esse bem cultural devido aos seus benefícios para a sociedade brasileira. Para tanto, o Ministério da Cidadania, responsável pela promoção da cultura, deve ampliar as ações de democratização do cinema em parceria com os governos estaduais e os municipais. Isso será feito mediante um pacote de ações a serem incluídas na Lei Plurianual, a saber: destinação de recursos de forma mais igualitária para todas as regiões, com foco na infraestrutura de lazer, como cinemas rotativos e em espaços públicos - parques, por exemplo - a fim de fugir da conjuntura elitista dos cinemas em “shoppings”, além da redução de impostos sobre a distribuição de filmes, com vistas a tornar o acesso a esses bens mais barato para a população em geral, cumprindo, assim, a premissa da Escola de Frankfurt quanto à disseminação cultural.