Durante a Idade Média, as doenças mentais eram associadas à falta de fé, resultando no julgamento de muitas pessoas como hereges. Apesar de datar de séculos passados, o estigma dos transtornos mentais ainda é perceptível no contexto atual, com destaque ao caso do Brasil. Nesse sentido, a persistência dessa discriminação é causada devido tanto à falta de empatia, como à insuficiência estatal no acolhimento das vítimas. Assim, é evidente a necessidade de intervir sobre essa triste realidade de caráter medieval.
A princípio, o exercício escasso da empatia na sociedade brasileira contribui com a manutenção do estigma das doenças mentais. Segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, os indivíduos devem agir conforme o dever moralmente correto, levando em consideração a existência do outro e criando uma lei universal. Entretanto, esse princípio, chamado de imperativo categórico, não é plenamente executado no Brasil, visto que as práticas preconceituosas contra pessoas com problemas psicológicos contradiz a moral de respeito às diferenças individuais. Nessa perspectiva, serve de exemplo o pensamento errôneo no qual o indivíduo que sofre de certas condições psíquicas, como a bipolaridade, seria incapaz de agir na sociedade, desvalorizando seu caráter. Dessa forma, nota-se que esse desrespeito precisa ser desmotivado.
Ademais, a atitude insuficiente do Estado em acolher as vítimas precariamente potencializa a estigmatização. De acordo com os preceitos da Constituição Federal, o governo tem a obrigação de garantir a igualdade de tratamento entre os cidadãos, independente de quaisquer condições pré-existentes. Porém, essa justiça não é comprida (sic) como deveria, já que milhares de indivíduos sofrem com preconceito associado a condições mentais. Tal fato está relacionado à falta de centros dedicados a receber denúncias e a punir os agressores, carência essa mais evidente nas zonas rurais. Com isso, milhares de brasileiros mentalmente doentes permanecem desamparados, indo contra as ideias de igualdade da Constituição.
Portanto, percebe-se a prioridade de desestimular o estigma relativo a doenças mentais. Para tanto, é necessário que o Ministério da Educação realize projetos escolares que ensinem o comportamento empático para com aqueles com condições psíquicas clínicas, por meio de aulas e de palestras que ensinem o respeito ao próximo, para que a capacidade dessas pessoas não seja duvidada, permitindo a consolidação do imperativo categórico. Além disso, o Ministério da Segurança deve instalar centros de apoio, em especial no campo, que recebam denúncias e investiguem casos de estigmatização. Dessa maneira, o pensamento medieval de desqualificação dos mentalmente doentes será melhor combatido.