Para responder às questões de 06 a 09, leia a crônica "A decadência do Ocidente", de Luis Fernando Verissimo. O doutor ganhou uma galinha viva e chegou em casa com ela, para alegria de toda a família. O filho mais moço, inclusive, nunca tinha visto uma galinha viva de perto. Já tinha até um nome para ela Margarete e planos para adotá-la, quando ouviu do pai que a galinha seria, obviamente, comida. Comida?! Sim, senhor. Mas se come ela? Ué. Você está cansado de comer galinha. Mas a galinha que a gente come é igual a esta aqui? Claro. Na verdade o guri gostava muito de peito, de coxa e de asa, mas nunca tinha ligado as partes ao animal. Ainda mais aquele animal vivo ali no meio do apartamento. O doutor disse que queria a galinha ao molho pardo. Há anos que não comia uma galinha ao molho pardo. A empregada sabia como se preparava galinha ao molho pardo? A mulher foi consultar a empregada. Dali a pouco o doutor ouviu um grito de horror vindo da cozinha. Depois veio a mulher dizer que ele esquecesse a galinha ao molho pardo. A empregada não sabe fazer? Não só não sabe fazer, como quase desmaiou quando eu disse que precisava cortar o pescoço da galinha. Nunca cortou um pescoço de galinha. Era o cúmulo. Então a mulher que cortasse o pescoço da galinha. Eu?! Não mesmo! O doutor lembrou-se de uma velha empregada da sua mãe. A Dona Noca. Não só cortava pescoços de galinhas, como fazia isto com uma certa alegria assassina. A solução era a Dona Noca. A Dona Noca já morreu - disse a mulher. O quê?! Há dez anos. Não é possível! A última galinha ao molho pardo que eu comi foi feita por ela. Então faz mais de dez anos que você não come galinha ao molho pardo. Alguém no edifício se disporia a degolar a galinha. Fizeram uma rápida enquete entre os vizinhos. Ninguém se animava a cortar o pescoço da galinha. Nem o Rogerinho do 701, que fazia coisas inomináveis com gatos. Somos uma civilização de frouxos! sentenciou o doutor. Foi para o poço do edifício e repetiu: Frouxos! Perdemos o contato com o barro da vida! E a Margarete só olhando. (Luis Fernando Verissimo. A mãe do Freud, 1997.)
A voz do personagem mescla-se intimamente à voz do narrador, configurando o chamado discurso indireto livre, no seguinte trecho:
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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