Para responder à questão, considere o excerto a seguir retirado de “Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo”, de Guimarães Rosa.
Lalino se afasta com o andar pachola, esboçando uns meios passos de corta-jaca, e seu Waldemar o acompanha, com olhar complacente.
– Mulatinho levado! Entendo um assim, por ser divertido. E não é de adulador, mais sei que não é covarde. Agrada a gente, porque é alegre e quer ver todo-o-mundo alegre, perto de si. Isso, que remoça. Isso é reger o viver.
– É o que eu acho... Só o que tem, que, às vezes, os outros podem aprovar mal o exemplo...
– Concordo. Já pensei, também. Vou arranjar para ele um serviço à parte, no armazém ou no escritório... E é o que convém, logo: veja só...
Lalino, que empunha a picareta, comandando o retorno à lida, e tirando, para que os outros o acompanhem, desafinadíssimo, um coco:
“Eu vou ralando o coco,
ralando até aqui...
Eu vou ralando o coco,
morena,
o coco do Ouricuri!...”
E aí, com a partida de seu Waldemar, a cena se encerra completa, ao modo de um final de primeiro ato.
(ROSA, Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, s.d., p. 93-94.)
Na narrativa, o personagem Lalino Salãthiel é caracterizado como um rapaz: