Leia os excertos retirados, respectivamente, das narrativas “O burrinho pedrês” e “Conversa de bois”, ambas publicadas no livro Sagarana (1946), de Guimarães Rosa.
Excerto 1
Mas Sete-de-Ouros detesta conflitos. Não espera que o garanhão murzelo volva a garupa para despejar-lhe duplo coice mergulhante, com vigorosa simetria. Que também, do outro lado, se assoma o poldro pampa, espalhando a crina e arreganhando os beiços, doido para morder. Sete-de-Ouros se faz pequeno. Escoa-se entre as duas feras. Desliza. E pega o passo pelo pátio, a meio trote e em linha reta, possivelmente pensando: – Quanto exagero que há!...
ROSA, Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, s.d., p. 22.
Excerto 2
Mas Agenor Soronho estranhou qualquer lance:
– Vigia aí, Tiãozinho! Vi um bicho raboso mexer no matinho... Alguma bisca de lobo, ou um jaguapé. Isso são criaturas p’ra vagarem de-noite, não sei o-quê que andam querendo a esta hora em beira de estrada, p’ra assustar os bois! Brabagato curvou-se, chegando o focinho, com veneta de lamber o entre-chifres de Capitão:
– Um homem não é mais forte do que um boi... E nem todos os bois obedecem sempre ao homem...
ROSA, Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, s.d., p. 309.
Assinale a alternativa correta.