Leia os dois relatos que se seguem e responda à questão proposta sobre a história contemporânea dos povos indígenas no Brasil.
“A gente não pede para nascer, apenas nasce. Alguns nascem ricos, outros pobres; uns nascem brancos, outros negros, uns nascem num país onde faz muito frio, outros, em terras quentes (...) Eu nasci índio. Mas não nasci como nascem todos os índios. Não nasci numa aldeia (...) Não nasci dentro de uma Uk'a Munduruku. Eu nasci na cidade (...): em Belém do Pará” (...) Meu pai é índio e viveu numa aldeia, como depois eu iria viver também. (...) Meus pais tinham ido à Belém em busca de uma maneira de sustentar tantas bocas, uma vez que já não era tão fácil viver na aldeia [de Maracanã)”
Fonte: MUNDURUKU, Daniel. Meu avô Apolinário. SP: Studio Nobel, 2005, p. 09.
“Segundo o relatório do CIMI (Conselho Indigenista Missionário), há no Brasil 1.298 terras indígenas.
Dessas, 829, o equivalente a 63%, apresentam alguma pendência para finalização do processo demarcatório, sendo que 536 nunca tiveram alguma providência adotada pelo governo federal para serem reconhecidas. (...) Lucas Tupinambá, 23, viajou por três dias e meio de ônibus até chegar a Brasília (...) Ele afirma que a aldeia da qual faz parte fica na margem esquerda do rio Tapajós, no Pará, e que uma eventual decisão do Supremo [Tribunal Federal sobre o estabelecimento de 1988 como marco temporal para demarcação de terras indígenas] pode “afetar diretamente” o reconhecimento da região como área indígena. 'Já fizemos a autodemarcação. A Constituição diz que é dever do Estado demarcar. Como o Estado não cumpre o próprio dever, nós o fizemos (...) Agora esperamos que nosso território seja reconhecido, uma vez que estamos lá muito antes de 1988”, afirma (...) Ele diz que a demarcação é necessária para a sobrevivência da população da região. “A cidade não está preparada para nos receber. Então vamos lutar pela terra que é nossa”, afirma.
Fonte: Jornal Folha de SP, 26/08/2021. (Matheus Teixeira. “Mega acampamento indígena em Brasília tem plenária política, famosos e roda de música”.)
As duas lideranças indígenas, Daniel Munduruku e Lucas Tupinambá, relatam um problema comum aos povos indígenas contemporâneos: a questão da demarcação de terras indígenas e a migração para as grandes cidades. Histórica e socialmente, esta questão foi delimitada pela Constituição de 1988 que, definitivamente, mudou a forma como os povos indígenas eram percebidos.
Por este marco legal assumiu-se que estes povos eram portadores de