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Fotografias de estrangeiros que retratam o “novo” Brasil reforçam
clichês surrados do país
No novo Brasil, cabem todos os clichês do velho, aquele “país tropical, bonito por natureza”, “terra boa e gostosa”, com coqueiros que dão coco e o Cristo de “braços abertos sobre a Guanabara”, a praia indefectível onde uma arquetípica “morena vai sambar, seu corpo balançar”.
É esse tipo de imagem – de belos corpos ardendo na praia, favelas pacificadas ao som do batidão do funk e flagras de miséria estetizada – que predomina nos ensaios recentes de fotógrafos estrangeiros, na tentativa de documentar o país em tempos de euforia. David Alan Harvey, norte-americano que acaba de lançar um ensaio sobre o Rio, diz que busca exagerar mesmo todos os clichês que vê desfilar diante de sua objetiva.
“Não me preocupo com clichês, já que eles são todos verdadeiros”, diz Harvey. “Vejo o Rio como um grande palco. Parece um anfiteatro em que as montanhas descem suaves até o mar e todo o drama humano de ricos e pobres se encontra na praia.”
Na opinião de Boris Kossoy, fotógrafo e professor da USP, exemplos desse fotojornalismo um tanto edulcorado* atestam o surgimento do que ele chama de “documentação produzida”. “São imagens encenadas e preparadas de coisas já cansadas”, diz Kossoy. “O interesse documental que havia em décadas passadas foi se desviando nos últimos tempos para uma produção de forte cunho estético, que pode virar propaganda falsa.”
(Folha de S.Paulo, 25.08.2013. Adaptado.)
No trecho – Fotografias de estrangeiros que retratam o “novo” Brasil reforçam clichês surrados do país –, as aspas em “novo” explicitam