O texto abaixo reproduz algumas estrofes do poema “Um cadáver de poeta”, do romântico Álvares de Azevedo.
De tanta inspiração e tanta vida
Que os nervos convulsivos inflamava
E ardia sem conforto...
O que resta? uma sombra esvaecida,
Um triste que sem mãe agonizava...
Resta um poeta morto!
Morrer! e resvalar na sepultura,
Frias na fronte as ilusões – no peito
Quebrado o coração!
Nem saudades levar da vida impura
Onde arquejou de fome... sem um leito!
Em treva e solidão!
Tu foste como o sol; tu parecias
Ter na aurora da vida a eternidade
Na larga fronte escrita...
Porém não voltarás como surgias!
Apagou-se teu sol da mocidade
Numa treva maldita!
Tua estrela mentiu. E do fadário
De tua vida a página primeira
Na tumba se rasgou...
Pobre gênio de Deus, nem um sudário!
Nem túmulo nem cruz! como a caveira
Que um lobo devorou!...
[...]
(AZEVEDO, A. Lira dos vintes anos e outros poemas. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006. p.109)
Morrer! e resvalar na sepultura,
Frias na fronte as ilusões – no peito
Quebrado o coração!
Nem saudades levar da vida impura
Onde arquejou de fome... sem um leito!
Em treva e solidão!
Tu foste como o sol; tu parecias
Ter na aurora da vida a eternidade
Na larga fronte escrita...
Porém não voltarás como surgias!
Apagou-se teu sol da mocidade
Numa treva maldita!
Tua estrela mentiu. E do fadário
De tua vida a página primeira
Na tumba se rasgou...
Pobre gênio de Deus, nem um sudário!
Nem túmulo nem cruz! como a caveira
Que um lobo devorou!...
[...]
(AZEVEDO, A. Lira dos vintes anos e outros poemas. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006. p.109)
Tu foste como o sol; tu parecias
Ter na aurora da vida a eternidade
Na larga fronte escrita...
Porém não voltarás como surgias!
Apagou-se teu sol da mocidade
Numa treva maldita!
Tua estrela mentiu. E do fadário
De tua vida a página primeira
Na tumba se rasgou...
Pobre gênio de Deus, nem um sudário!
Nem túmulo nem cruz! como a caveira
Que um lobo devorou!...
[...]
(AZEVEDO, A. Lira dos vintes anos e outros poemas. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006. p.109)
Tua estrela mentiu. E do fadário
De tua vida a página primeira
Na tumba se rasgou...
Pobre gênio de Deus, nem um sudário!
Nem túmulo nem cruz! como a caveira
Que um lobo devorou!...
[...]
(AZEVEDO, A. Lira dos vintes anos e outros poemas. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006. p.109)
Sobre esse poema, analise as afirmativas a seguir.
I. A obsessão com a morte, presente no trecho, é uma das formas do escapismo romântico.
II. A emoção excessiva, explicitada pelo uso recorrente dos pontos de exclamação, revela um desejo de fuga da realidade, da problemática existencial.
III. O egocentrismo romântico, ligado ao tema da morte, produz um tom de lamentação em relação à finitude do poeta.
IV. A subjetividade, característica da escola romântica, é expressa pela forte presença da marcas de 1ª pessoa do “eu lírico”.
Estão CORRETAS as afirmativas.