Leia o texto de Daniel Cohen para responder à questão.
Desde a noite dos tempos, a humanidade caminhou sobre um fio, acossada por duas forças contrárias. O número de pessoas não para de crescer, sempre esbarrando na raridade das terras que as alimentam. Mas, graças a seu próprio número, os homens multiplicam as descobertas, desbravam as fronteiras do saber e seguem seu caminho aumentando a densidade e a complexidade da vida social. Algumas vezes, civilizações se extinguem, caindo do lado perverso dessa equação. Impotentes para compreender o que lhes acontece, se consomem – seja lentamente, como o Império Romano, seja brutalmente, como a civilização maia. O esquecimento dessas civilizações perdidas às vezes faz pensar que o homem sempre se dá bem, mas isso acontece unicamente pela omissão de casos em que ele não triunfou.
Mas aconteceu também, na verdade uma única vez na história, em algum momento entre os séculos XII e XVIII, uma aceleração totalmente inédita de produção de saberes que permitiu a uma parte da humanidade enriquecer-se duradouramente.
A prosperidade material é uma dádiva inesperada a priori. Ela faz desaparecer a fome, aumenta a expectativa de vida e reduz o tempo de trabalho necessário à produção de bens úteis ao homem. Do ponto de vista dos sentimentos morais, no entanto, trata-se de uma dádiva ambivalente. Ela tranquiliza a sociedade, mas faz suas exigências aumentarem.
Os relatos ingênuos de uma sociedade pacificada graças às virtudes do “suave comércio” não resistem à crítica. A erradicação da violência não foi provocada pelo desenvolvimento econômico.
(A prosperidade do vício, 2010. Adaptado.)
Segundo o texto, a abundância de bens materiais