Não é sempre que a escolha de um vinho em vez de outro torna-se uma questão de vida ou morte. Mesmo assim, foi isso que determinou o destino de Marco Antônio, político romano e renomado orador. Em 87 a.C., ele se viu do lado errado de uma das muitas intermináveis lutas de poder. Caio Mário, um general mais velho, tomara o poder e estava caçando impiedosamente os defensores de seu rival, Sila. Marco Antônio procurou refúgio na casa de um conhecido de posição social bem inferior, acreditando que ninguém pensaria em procurá-lo na casa de um homem tão pobre. Seu anfitrião, porém, inadvertidamente, o entregou, ao mandar seu criado comprar um vinho digno de um convidado tão ilustre. O criado foi à loja da vizinhança e, após experimentar o que estava sendo oferecido, pediu um vinho muito melhor e muito mais caro do que o normal. Quando o vendedor perguntou por que, o criado revelou a identidade do convidado de seu patrão. O vendedor foi direto a Mário, que despachou um grupo de soldados para matar Marco Antônio. Não obstante, ao entrarem em seu quarto, os soldados resolveram não matá-lo, tal era o poder de sua oratória. Finalmente, o oficial comandante que esperava do lado de fora entrou para ver o que estava acontecendo. Chamando seus homens de covardes, ele sacou sua espada e decapitou Marco Antônio.
(Tom Standage. História do mundo em 6 copos, 2005. Adaptado.)
A versão da morte de Marco Antônio Orador, em 87 a.C., narrada pelo historiador romano Apiano (95-165), é um exemplo