Texto para a pergunta.
Ambiente de startups parece mágico, mas burnout em mentores é
alerta à comunidade
A pandemia acelerou a digitalização dos negócios, alterou o
comportamento do consumidor e abriu ainda mais espaço para as novas
tecnologias — não à toa tivemos recordes de investimentos nas startups
brasileiras.
[5] Acredito que este ano não será diferente. O mercado está bastante
aquecido e é possível que muitos novos unicórnios, como chamamos as
empresas com valor de mercado de 1 bilhão, surjam ainda neste primeiro
semestre.
O ambiente de startups parece mágico, mas a verdade é que, há tempos,
[10] tenho visto CEOs no fundo do poço. São pessoas talentosas, criativas e com
paixão. Que dão o melhor de si, mas que se esquecem da ferramenta mais
importante que possuem: o hardware da própria mente.
As conexões sociais são um dos pilares mais importantes e poderosos para
proteger a nossa mente. Várias pesquisas apontam o aumento de transtornos
[15] mentais durante a crise da Covid-19 em todo o mundo. Um deles é a síndrome
de burnout, que apresenta sintomas similares aos da ansiedade e da
depressão. A diferença é que o fator determinante para essa síndrome é única
e exclusivamente o trabalho.
Numa tradução livre, burnout significa “totalmente queimado”. O corpo
[20] queima os fusíveis e desliga para evitar uma sobrecarga fatal do sistema. É um
nível de estresse extremo que leva o profissional à exaustão física e mental.
Com o isolamento social, é muito mais fácil as pessoas mergulharem
profundamente e sem qualquer restrição no home office. O trabalho antes
“full time” foi substituído pelo “full life” — muitos já não conseguem separar
[25] vida profissional e pessoal. Você vai se desconectando do próprio corpo,
despersonalizando-se, e não ouve os primeiros sinais de exaustão, como dores
de cabeça e insônia recorrente.
Trabalhamos com tecnologia, mas não somos robôs. Temos emoções e às
vezes elas gritam dentro da gente pedindo socorro e, se não ouvimos, o corpo
[30] dá um jeito de se fazer escutar.
É notável a diferença entre a estrutura de negócio de uma startup e a de
empresas tradicionais. As startups crescem de maneira exponencial e nós, de
carne e osso, podemos não acompanhar esse ritmo frenético.
O ambiente de inovação é muito competitivo e existe uma baita pressão.
[35] Quem está à frente dos negócios muitas vezes nem consegue cogitar a
possibilidade de fazer um intervalo ou se dar um pequeno descanso por causa
do sentimento de culpa. Ter estresse é normal e até nos ajuda a tomar decisões
no trabalho e na vida pessoal. Em excesso, porém, pode gerar doenças
psicossomáticas. Ao insistir, chegamos em nosso limite, que é o burnout.
[40] É preciso entender de uma vez por todas que respeitar o próprio corpo e
mente também é cuidar da sua startup e dos seus colaboradores. Respire,
medite, dance e reconheça momentos que te façam sentir mais leve com a
vida.
Beatriz Bevilaqua, https://www1.folha.uol.com.br 6/3/2021. Adaptado.
Nos trechos “e, se não ouvimos, o corpo dá um jeito de se fazer escutar” e “Ao insistir, chegamos em nosso limite”, as orações sublinhadas exprimem, respectivamente, ideia de