O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente
A arquitetura hospitalar sob a ótica de um paciente na UTI
Designer que aguarda transplante de coração reflete como o ambiente hospitalar poderia melhorar para acolher os pacientes.
“Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um voo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal”
(Fernando Brant e Lô Borges)
Da janela lateral do quarto de dormir, vejo a Igreja do Calvário na Avenida Brasil, vejo os muros brancos e invisíveis da cidade, sinto os primeiros raios solares que despontam logo atrás do edifício do InCor, lá no alto do espigão que cruza a Avenida Dr. Arnaldo e segue pela Avenida Paulista, vejo um sinal de glória a menos de 2 km da janela lateral do meu apartamento na Vila Madalena, uma energia que tinge toda cidade de dourado. [...]
Fui transferido para a UTI. Precisava tomar uma medicação que só pode ser administrada com atenção médica 24 horas por dia. Com os remédios vieram as restrições: eu não poderia mais me mover, sair da cama, fazer nenhum esforço em função dos acessos com drogas que estavam sendo aplicadas na minha veia de forma contínua e de um balão intra-aórtico instalado.
O novo espaço, no 4º andar, era um quartinho pequeno onde cabiam meu leito, os instrumentos de monitoração, um pequeno armário, uma TV e só. A vista do leito era a sala das enfermeiras. Um dia, descobri por acaso que havia uma janela atrás do meu leito e pedi à enfermeira para abrir a persiana para que eu pudesse receber a luz solar e pelo menos sentir que a vida nascia em algum lugar.
Peguei minha câmera do celular e consegui tirar uma foto. Foi então que eu descobri que aquela não era uma paisagem qualquer. Meu quarto dava para um bosque de pinheiros. Só que eu não podia virar para trás para vê-lo e tive que me contentar sentindo como seriam o nascer e o pôr do sol ali, restabelecendo e apaziguando o ritmo na terra e fazendo com que a luz da manhã desse lugar a um lado mais sombrio do quarto à noite. [...]
A relação com os enfermeiros, os médicos e a própria doença cria uma espécie de família impossível, disfuncional, mas ainda assim algo íntimo e baseado na confiança, no cuidado e na entrega. [...]
(Por Lincoln Paiva, designer especialista em planejamento urbano. Agosto de 2021. Disponível em: https://saude.abril.com.br/blog/com-apalavra/a-arquitetura-hospitalar-sob-a-otica-de-um-paciente-na-uti/. Adaptado.)
Assinale a afirmativa correta de acordo com o texto.