Do outro lado da rua, o comandante da tropa de cavalaria ordena que a multidão se disperse. Há um momento de tensão e silêncio. Em seguida, ecoa a fuzilaria. A polícia dispara sobre os operários e a cavalaria investe contra a multidão. Sobre a calçada da Fábrica Mariangela há um operário mortalmente ferido. É José Martinez, jovem anarquista de 22 anos. O dia é 9 de julho de 1917. (...)
A 12 de julho, o enterro de José Martinez é a senha para a greve geral. 10 000 pessoas acompanham o féretro. No Brás e na Mooca, os operários erguem barricadas. Começam os tiroteios e saques de casas comerciais. Há mais de 70 000 trabalhadores em greve.
(Coleção Nosso Século, 1910/1930)
No dia 16 de julho [de 1968] às 8 horas e 45 minutos houve um toque extra da sirene da fábrica (Cobrasma). Era a senha do início da greve. (...)
A partir das 20 horas e 30 minutos a repressão violenta começou. A Lonaflex foi cercada por tropas de choque da Força Pública, cavalaria e carros de combate (brucutu e tatu) sob o comando de um major do Exército. (...)
Quando chegou a notícia sobre a desocupação da Lonaflex, a repressão já estava a caminho da Cobrasma. (...) A retirada se dava ao mesmo tempo que os combates corpo-a-corpo se intensificavam, deixando um saldo de feridos entre operários e soldados. A repressão utilizava, além de cassetetes, bombas de gás e de efeito moral, rajadas de metralhadoras disparadas para o ar etc.
(Roque Ap. Silva, em Rebeldes e Contestadores)
Em relação aos fatos apresentados nos dois textos e a situação histórica em que ocorreram, pode-se afirmar que