Leia o trecho inicial da crônica “Batalha final”, de Moacyr Scliar, para responder à questão
O último filme de Martin Scorsese, Vivendo no limite, gira em torno de um paramédico atormentado pela visão de uma moça que ele não conseguiu salvar. Perder pacientes é o tormento dos paramédicos, e dos médicos, e dos enfermeiros, de todos enfim que lidam com a vida humana em seus instantes terminais. É o sombrio reverso de uma moeda cuja brilhante face nos mostra essas profissões arrancando pessoas à morte. Salvar vidas é “como se apaixonar”, nas palavras de Joe Connelly, o paramédico autor do livro que originou o filme. É algo que dá aos profissionais a sensação de uma potência quase infinita.
Que não corresponde à realidade. No começo de minha carreira médica, trabalhei em hospitais onde havia pacientes em estado muito grave. A morte passou a fazer parte de minha rotina. E ela se apresentava de diferentes maneiras. Sob a forma, por exemplo, do colchão enrolado: a gente chegava à Santa Casa uma manhã e, no leito onde no dia anterior estivera uma pessoa, o colchão agora estava enrolado. Era sempre um choque.
Agora, terrível mesmo era acompanhar as pessoas em sua agonia, que podia ser curta ou longa, podia terminar quietamente ou com um grito de terror. De qualquer maneira, era a morte.
(Território da emoção, 2013. Adaptado.)
No contexto em que se encontra, a conjugação do verbo sublinhado indica um fato frequente, no passado, em: