Leia o texto, a seguir, de Euclides da Cunha.
Os combatentes contemplavam-nos entristecidos. Surpreendiam-se; comoviam-se. O arraial, “in extremis”, punha-lhes adiante, naquele armistício transitório, uma legião desarmada, mutilada, faminta e claudicante, num assalto mais duro que o das trincheiras em fogo. Custava-lhes admitir que toda aquela gente inútil e frágil saísse tão numerosa ainda dos casebres bombardeados durante três meses [...]. Repugnava aquele triunfo. Envergonhava. Era, com efeito, contraproducente compensação a tão luxuosos gastos de combates, de reveses e de milhares de vidas [...] Nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma arma, nem um peito resfolegante de campeador domado: mulheres, sem número de mulheres, velhas espectrais, moças envelhecidas, velhas e moças indistintas na mesma fealdade, escaveiradas e sujas, filhos escanchados nos quadris desnalgados, filhos encarapitados às costas, filhos suspensos aos peitos murchos, filhos afastados pelos braços, passando; crianças, sem número de crianças; velhos, sem número de velhos; raros homens, enfermos opilados, faces túmidas e mortas, de cera, bustos dobrados, andar cambaleante.[...]
CUNHA, Euclides da. Os sertões. 39. ed. Rio de Janeiro, RJ: Livraria Francisco Alves, Publifolha, 2000. p. 509-510. Adaptado.
Esse texto retrata um evento dos momentos finais da Guerra de Canudos, que ocorreu no sertão do estado da Bahia, entre 1896 e 1897.
Assinale a alternativa que contenha, sobre esse episódio, as questões sociais, econômicas e políticas envolvidas nessa guerra.