Os LIVROS QUE FALAM
Cresce a procura por obras narradas.
Elas resolvem o problema de quem não tem tempo para ler?
[1] Ler sempre foi uma atividade solitária, silenciosa e que exigia muita concentração.
[2] Mas isso está mudando. De acordo com o Ibope, cerca de 3 milhões de pessoas já
[3] experimentaram um jeito alternativo de embarcar nas obras literárias. Elas são adeptas de
[4] audiolivros, versões em áudio de livros impressos. As obras custam até 70% menos que a
[5] versão em papel. Algumas são narradas por vozes famosas, como de Antônio Fagundes e
[6] Tony Ramos, ou interpretadas pelo próprio autor, como acontece nos audiolivros do escritor
[7] Rubem Alves.
[8] O CD com o áudio - formato preferido dos consumidores - está à venda pela internet
[9] e em grandes livrarias, como Nobel e Saraiva. A compra do arquivo digital “nu”, como
[10] dizem os internautas, por download é a que mais cresce atualmente. Em parte pelo preço,
[11] que raramente ultrapassa os R$ 15. Em parte pela facilidade de transferi-Io para tocadores
[12] digitais e celulares, as principais plataformas que tocam audiobooks. Os aficionados ouvem
[13] enquanto estão na academia ou no trânsito.
[14] Mas será que o prazer é o mesmo de manusear uma obra impressa? Certamente,
[15] não. Mas tem o mérito de estar em sintonia com o estilo de vida apressado dos leitores,
[16] que reclamam da falta de tempo para dedicar-se à leitura. A empresária paulista Vera
[17] Carmo, de 54 anos, diz que ouvir um livro pode ser ainda mais prazeroso. “Baixei palestras
[18] de mitologia, cheias de citações, não poderia ser mais rico”, diz Vera, que conta 44
[19] “leituras” em seu tocador. Mas faz o alerta. “É preciso se concentrar. Tenho de voltar
[20] quando me distraio com o resto.”
[21] As editoras de audiolivros criaram estratégias para captar a atenção do ouvinte.
[22] Trocam de locutor a cada capítulo, como em O discurso sobre o método, de René
[23] Descartes, e incluem trilhas sonoras como em Iracema, de José de Alencar. O negócio
[24] ainda é novo no país. Só existem 500 obras em português. Nos Estados Unidos, são cerca
[25] de 50 mil títulos, o equivalente a 10% dos lançamentos do mercado editorial. Mas a oferta
[26] de produtos é bem variada por aqui. Há aulas de Direito
[27] como A nova proposta de Warren Buffett, de Mary Buffett e David Clark. A Audiolivros
[28] Editora aposta em best-sellers como O monge e o executivo, de James Hunter, e A arte da
[29] guerra, de Sun Tzu. A Plugme, da Ediouro, recorreu à voz do ator Antônio Fagundes para
[30] narrar Paulo Coelho e a de Nelson Motta para interpretar a própria obra: Vale tudo, sobre
[31] Tim Maia. Mesmo com o mercado ainda pequeno, já há quem sobreviva do aluguel de
[32] audiobooks. O analista de sistemas Robson Franguetti, de 24 anos, tem pelo menos 200
[33] obras em CD. Ele faz a locação de filmes e audiobooks pelo site maniadeverfilmes.com.br e
[34] manda entregar por motoboy na casa do cliente. O empréstimo custa R$ 5.
(Texto adaptado da Revista ÉPOCA, 17 de agosto de 2009 - edição 587, pp. 109-111)
Marque com V (verdadeira) ou F (falsa) as declarações abaixo.
( ) A resposta negativa “Certamente, não” (linhas 14 e 15), que o autor dá à pergunta que ele mesmo faz na frase anterior (“Mas será que o prazer é o mesmo de manusear uma obra impressa?” – linha 14) apenas “implicitamente” se vê justificada nas linhas subsequentes. Isso pode ser atribuído possivelmente à pressuposição de que os leitores da revista já tenham tido, em suas vidas, a experiência de ler um livro impresso. E mais: pressupõe-se, igualmente, que essa experiência tenha sido prazerosa.
( ) A pergunta “Mas será que o prazer é o mesmo de manusear uma obra impressa?” (linha 14), embora, à primeira leitura, possa dar a entender que ler a obra impressa é “melhor” do que ouvi-la apenas, na verdade afirma tão somente que se trata de atividades que podem ser ambas prazerosas, sendo essas atividades, porém, distintas quanto à fruição do prazer.
( ) O fato de terem as editoras criado estratégias para chamar a atenção dos ouvintes de audiobooks explica suficientemente por que essa mídia está crescendo, pois, sem tais estratégias, eles se distraíam muito e, por isso, acabavam não comprando tanto quanto se queria.
( ) A incipiência do mercado de audiolivros no Brasil (representada pela pouca quantidade de títulos disponíveis, sobretudo se comparado ao mercado americano) se deve à variedade de produtos, que vão de aulas de Direito a obras só existentes em inglês.
Quanto às proposições acima, assinale a sequência correta, de cima para baixo: