INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.
TEXTO
Muitas vezes, quando pensamos em ritual, duas
ideias nos vêm à mente: por um lado, a noção de que um
ritual é algo formal e arcaico, quase que desprovido de
conteúdo, algo feito para celebrar momentos especiais
[5] e nada mais; por outro lado, podemos pensar que os
rituais estão ligados apenas à esfera religiosa, a um
culto ou a uma missa.
Segundo alguns autores, nossa vida de todos os
dias – a vida social – é marcada por um eterno conflito
[10] entre dois opostos: ou o caos total, onde ninguém
segue nenhuma regra ou lei, ou uma ordem absoluta,
quando todos cumpririam à risca todas as regras e leis
já estabelecidas. A visão desses opostos não deixa
de ser engraçada: alguém consegue imaginar nossa
[15] sociedade funcionando de uma dessas maneiras? É
evidente que não.
Dizemos que os rituais emprestam formas conven-
cionais e estilizadas para organizar certos aspectos da
vida social, mas por que esta formalidade?
[20] Ora, as formas estabelecidas para os diferentes
rituais têm uma marca comum: a repetição. Os rituais,
executados repetidamente, conhecidos ou identificáveis
pelas pessoas, concedem certa segurança. Pela
familiaridade com a(s) sequência(s) ritual(is), sabemos
[25] o que vai acontecer, celebramos nossa solidariedade,
partilhamos sentimentos, enfim, temos uma sensação
de coesão social. É assim que entendemos: “cada ritual
é um manifesto contra a indeterminação”. Através da
repetição e da formalidade, elaboradas e determinadas
[30] pelos grupos sociais, os rituais demonstram a ordem e
a promessa de continuidade desses mesmos grupos.
Adaptado de RODOLPHO, Adriane Luísa. Rituais, ritos de passagem e de iniciação: uma revisão da bibliografia antropológica. In: Estudos Teológicos, v. 44, n. 2, p. 138-146, 2004
Os verbos “emprestam” (linha 17), “concedem” (linha 23) e “demonstram” (linha 30) poderiam ser substituídos, respectivamente, por