Texto para responder à questão.
O Cortiço
Depois via-se a velha Isabel, isto é, Dona Isabel, porque ali
na estalagem lhe dispensavam todos certa consideração,
privilegiada pelas suas maneiras graves de pessoa que já teve
tratamento: uma pobre mulher comida de desgostos. Fora casada
[5] com o dono de uma casa de chapéus, que quebrou e suicidou-se,
deixando-lhe uma filha muito doentinha e fraca, a quem Isabel
sacrificou tudo para educar, dando-lhe mestre até de francês.
Tinha uma cara macilenta de velha portuguesa devota, que já foi
gorda, bochechas moles de pelancas rechupadas, que lhe pendiam
[10] dos cantos da boca como saquinhos vazios; fios negros no queixo,
olhos castanhos, sempre chorosos engolidos pelas pálpebras. [...]
A filha era a flor do cortiço. Chamavam-lhe
Pombinha. Bonita, posto que enfermiça e nervosa ao último
ponto; loura, muito pálida, com uns modos de menina de
[15] boa família. A mãe não lhe permitia lavar, nem engomar,
mesmo porque o médico a proibira expressamente.
Tinha o seu noivo, o João da Costa, moço do
comércio, estimado do patrão e dos colegas, com muito
futuro, e que a adorava e conhecia desde pequenita; mas
[20] Dona Isabel não queria que o casamento se fizesse já. É que
Pombinha, orçando aliás pelos dezoito anos, não tinha
ainda pago à natureza o cruento tributo da puberdade,
apesar do zelo da velha e dos sacrifícios que esta fazia para
cumprir à risca as prescrições do médico e não faltar à filha
[25] o menor desvelo. No entanto, coitadas! daquele casamento
dependia a felicidade de ambas, porque o Costa, bem
empregado como se achava em casa de um tio seu, de quem
mais tarde havia de ser sócio, tencionava, logo que mudasse
de estado, restituí-las ao seu primitivo círculo social.
AZEVEDO, A. Disponível em: http://www. dominiopublico.gov.br/download/ texto/bn000003.pdf. Acesso em: 10 maio 2017 (fragmento), com adaptações.
Acerca das estruturas linguísticas utilizadas para a construção de sentido do texto, assinale a alternativa correta.