Texto
SUJEITO INDIRETO
Quem dera eu achasse um jeito
de fazer tudo perfeito,
feito a coisa fosse o projeto
e tudo já nascesse satisfeito.
[5] Quem dera eu visse o outro lado,
o lado de lá, lado meio,
onde o triângulo é quadrado
e o torto parece direito.
Quem dera um ângulo reto.
[10] Já começo a ficar cheio
de não saber quando eu falto,
de ser, mim, indireto sujeito.
Fonte: LEMISKI, Paulo. Melhores poemas. Organização Fred Góes, Álvares Marines; coordenação Edla van Steen. 7ª ed. São Paulo: Global 2016, p. 125
Analise as proposições em relação à obra Melhores poemas, Paulo Leminsky, e ao Texto – SUJEITO INDIRETO.
I. A leitura do poema evidencia uma metalinguagem com duplicidade irônica, pois apresenta uma contestação aos elementos da construção gramatical, e, em consequência desta contestação, desvela um eu poético desiludido.
II. A obra de Leminsky está entre a oralidade e o rigor da construção formal, pois utiliza vários recursos estilísticos, provérbios, humor, trocadilhos da cultura popular, recursos visuais de publicidade, entre outros. No entanto, o poeta também valoriza recursos do poema tradicional – as rimas, essência para a estrutura rítmica dos seus poemas.
III. O poeta faz um jogo de palavras em relação ao título e à inversão do título, no verso 12, como forma de recuperar o sentido mais amplo que o poeta tenciona dar ao poema – uma tentativa de resgatar a essência do poema – a poesia.
IV. Da leitura dos versos “Quem dera eu visse o outro lado, / o lado de lá, lado meio” deduz-se que o poeta está se referindo a um enigma, ou seja, a incógnita que a vida representa.
V. A repetição da estrutura “Quem dera”, nos versos um, cinco e nove, reflete o probabilismo de contestação e o descontentamento do eu-poético no mundo atual, razão pela qual o poeta usa o verbo no pretérito mais que perfeito.
Assinale a alternativa correta.