Leia, a seguir, o seguinte trecho:
“Inicialmente, é preciso reconhecer que, qualquer que seja a cultura, o ser humano produz duas linguagens a partir de sua língua: uma, racional, empírica, prática, técnica; outra, simbólica, mítica, mágica.(...) Essas duas linguagens podem ser justapostas ou misturadas, podem ser separadas, opostas, e a cada uma delas correspondem dois estados. O primeiro, também chamado de prosaico, no qual nos esforçamos por perceber, raciocinar, e que é o estado que cobre uma grande parte de nossa vida cotidiana. O segundo estado (...) é o estado poético.(...)
Poesia-prosa constituem, portanto, o tecido de nossa vida. Hölderlin afirmava:
‘O homem habita a terra poeticamente.’ Acredito ser necessário dizer que o homem habita, simultaneamente, poética e prosaicamente. (...) Em nossas vidas, convivemos com essa dupla existência, essa dupla polaridade.”
(MORIN, Edgar. Amor, poesia, sabedoria. 8ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008)
Em “Contos de Aprendiz”, de Carlos Drummond de Andrade, o narrador volta-se predominantemente para cenas do cotidiano, focalizando-as, muitas vezes, com um olhar reflexivo, capaz de mesclar aspectos prosaicos e poéticos.
Marque, a seguir, a alternativa cujo trecho citado confirma esse tipo de abordagem em que o narrador insere no prosaico da cena cotidiana ‘toques’ de um estado poético.