A questão tem como referência os seguintes fragmentos do conto “Os porcos”, de Julia Lopes de Almeida:
I - “No meio do pasto, uma figueira enorme estendia os braços sombrios, pondo uma mancha negra em toda aquela extensão de luz. A cabocla quis esconder-se ali, cansada da claridade, com medo de si mesma, dos pensamentos pecaminosos que tumultuavam no seu espírito e que a lua santa e branca parecia penetrar e esclarecer. Ela alcançou a sombra com passadas vacilantes; mas os pés inchados e dormentes já não sentiam o terreno e tropeçavam nas raízes de árvores, muito estendidas e salientes no chão. A cabocla caiu de joelhos, amparando-se para a frente nas mãos espalmadas. O choque foi rápido e as últimas dores do parto vieram atalhar. Quis reagir ainda e levantar-se, mas já não pôde, e furiosa descerrou os dentes, soltando os últimos e agudíssimos gritos da expulsão. Um minuto depois a criança chorava sufocadamente. A cabocla então arrancou com os dentes o cordão da saia e, soerguendo o corpo, atou com firmeza o umbigo do filho, e enrolou-o no xale, sem olhar quase para ele, com medo de o amar[...].” (ALMEIDA, 2020, p. 45).
II - “Viu confusamente os movimentos repetidos do seu focinho trombudo, gelatinoso, que se arregaçava, mostrando a dentuça amarelada, forte. Um sopro frio correu por todo o corpo da cabocla, e ela estremeceu ouvindo um gemido doloroso, doloridíssimo, que se cravou no seu coração aflito. [...] ainda viu, vaga, indistintamente, o vulto negro e roliço da porca, que se afastava com um montão de carne perdurado nos dentes, destacando-se isolada e medonha naquela imensa vastidão cor de rosa.” (ALMEIDA, 2020, p. 45).
(Fonte: ALMEIDA, Júlia Lopes. Os porcos. In: Ânsia eterna. Brasília: Senado Federal, 2019. p. 39-44. Disponível em: https:// www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/580577/ AnsiaEterna2ed.pdf. Disponível em: https://brasilescola. uol.com.br/literatura/julia-lopes-de-almeida.htm. Acesso em: 31 out. 2022)
Considerando o modo de organização textual dos fragmentos (tipologia predominante e/ou recursos expressivos) e sua correlação com o contexto de produção da obra, é correto afirmar que predominam, nos dois fragmentos: