“Muitos manifestantes de Berlim Oriental não eram correspondidos pela guarda que patrulha o Muro de Berlim, como mostra o seguinte diálogo, no posto fronteiriço Checkpoint Charlie, entre jovens que queriam atravessar e um sargento:
Sargento: Não entendo vocês. A vida não está boa aqui? O que vocês vão fazer do outro lado? Querem desemprego?
Jovem: Lá também é Alemanha, tenho família e alguns amigos que quero visitar.
Sargento: Mas é necessário todo esse barulho, essa vergonha de gente fugindo? Por que não esperar a vez de passar, pedindo visto? É preciso paciência.
Outro jovem: Paciência? Conhecemos pessoas que pediram visto a três anos. Muitos desistiram. E para que ter paciência? Temos o direito de viajar livremente.
Sargento: Esse direito sempre existiu. Vocês não entendem.
Jovem: O senhor é que não entende a importância de poder passar, conhecer o outro lado de um país que também é nosso, queremos sair e vamos voltar. Mas queremos a liberdade de poder fazer isso.”
(Arbex Júnior, 1991.)
O texto anterior foi escrito no dia 11 de novembro de 1989 e integra um conjunto de escritos que o jornalista José Arbex escreveu para o Jornal “A Folha de São Paulo”, como correspondente do jornal em Berlim, por ocasião da queda do Muro que dividia as partes Ocidental (capitalista) e Oriental (comunista) da cidade alemã.
No texto, a indignação do sargento diante do desejo dos jovens de atravessar o muro para o lado Ocidental de Berlim demonstra