Ao longo do século XIX foi criada, e se manteve por muitas décadas, uma versão da história da Independência que apregoava a inexistência de conflitos. Independência pacífica e independência negociada eram expressões para definir uma suposta característica do processo de emancipação das colônias portuguesas. Sabe-se hoje, depois de dezenas de novas pesquisas, que essa visão não pode ser mais aceita. Pesquisas mais recentes apresentam outro dado: ao lado da luta contra os portugueses, houve também outra luta do “Povo” contra o “povo”.
“Povo”, com inicial maiúscula, na época designava as elites, enquanto a expressão “povo” era utilizada para definir mulatos, pardos e negros, inclusive os escravos. De fato, desde o primeiro momento, o projeto das elites era fazer uma emancipação que não alterasse as estruturas econômicas e sociais. O liberalismo de nossas elites não incluía o fim da escravidão. Mas é claro que as notícias corriam, e escravos e negros libertos tinham a capacidade de pensar em realizar outra independência, talvez semelhante àquela ocorrida no Haiti. Esse era o grande medo das elites, que não hesitaram em usar a força bruta para liquidar qualquer possibilidade de perderem o controle do processo.
A par do conflito interno, houve também lutas contra as tropas portuguesas sediadas em várias províncias. Em alguns locais, as tropas portuguesas receberam auxílio de grupos ou pessoas nascidas nas províncias e que optavam por continuar fiéis a Portugal.
FARIA, Ricardo. MIRANDA, Mônica & CAMPOS, HELENA. Estudos de
História. São Paulo: FTD, 2010, p. 336.
Das alternativas a seguir, apenas uma não se insere no quadro das guerras da independência. Assinale-a: