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Oswaldo começa a ser preparado para se tornar xamã, há uma dança com o som forte dos chocalhos. Um novo corte e Oswaldo está dormindo novamente, sonhando. Quando acorda, vai buscar água na mata e grita no caminho. Quando entra na mata há um close-up em seu rosto, e depois é seu ouvido que fica em primeiro plano. Os sons estranhos voltam, a câmera acelerada também, há alternância entre ritmo normal e acelerado da câmera. Com um corte seco a cena se inicia mostrando uma quadra de tênis, a casa dos fazendeiros e duas meninas deitadas na beira da piscina, sendo servidas por uma empregada índia. O som é de uma música espanhola e as meninas saem.
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Na sequência, Oswaldo está na beira do rio, chacoalhando seu maracaxá. As meninas chegam fumando e entram no rio. A câmera subjetiva percorre o corpo das garotas, indicando o olhar de Oswaldo, depois faz o mesmo com o corpo de Oswaldo, quando as meninas se viram para ele. Outros índios chegam para buscar água e novamente brancos e índios se encaram. Há comentários dos índios com conotação sexual.
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Oswaldo continua sendo preparado para ser xamã, e é lhe dada a ordem de que enquanto estiver sendo preparado não pode ter relações sexuais. Um corte nos leva para a fazenda, em uma aula que a mulher do fazendeiro está dando para estrangeiros sobre a natureza do local, mostrando diversas imagens de pássaros da região, na sequência mostra fotos de indígenas do século passado. A filha do fazendeiro intervém e fala que os índios que estão ali por perto se alimentam de carne humana, o que na realidade é um dos estereótipos do indígena brasileiro.
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Oswaldo e a filha do fazendeiro se encontram novamente na beira do rio. As mulheres buscam água no rio, tratam do encarregado de vigiá-los com conotação sexual forte. Quando retornam, Lia, uma das índias leva água para ele no trailer e se insinua sexualmente.
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Na mata, Oswaldo e Maria – a filha do fazendeiro – se encontram novamente e ela o ensina a andar de moto. Temos um plano geral que mostram os dois distantes, andando de motos juntos. Na sequência é tratada a questão do dinheiro e da comida. A mulher do fazendeiro manda dinheiro para os índios na tentativa de convencê-los a irem embora.
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Novamente Oswaldo e Maria se encontram no rio. Quando ele chega, Maria já está nua dentro do rio, ele se despe e entra no rio também. A câmera em um primeiro momento mostra os dois juntos, depois mostra o horizonte e o rio mais distantes em um plano geral, mas o som é da relação sexual dos dois. Oswaldo, por estar sendo preparado para ser xamã, não poderia se relacionar com nenhuma mulher.
(SANCHEZ, Laís Alves. “Ensino de História e a Temática Indígena: o uso do cinema na sala de aula”. In.: Revista Em tempo de Histórias. N. 21, 2012. http://seer.bce.unb.br/index.php/emtempos/article/view/8510/6470 acesso em 13 de outubro de 2013).
No Filme Terra Vermelha, uma produção ítalo-brasileira, de 2008, dirigida por Marco Bechis, há o relacionamento do jovem indígena Oswaldo e da filha do fazendeiro, Maria. Do artigo de Laís Alves Sanchez, recuperamos os fragmentos acima, que trazem algumas cenas em que ocorre a interação entre os dois. Envolto ao conflito entre fazendeiro e indígenas, Oswaldo se prepara para se tornar um xamã, mas o relacionamento com Maria torna-se um obstáculo para que o indígena conclua o ritual. As personagens Maria e Oswaldo, no contexto do conflito entre brancos e indígenas, poderiam representar