O romance Primeira manhã, de Dalcídio Jurandir, é o sexto volume da série do Extremo-Norte. Alfredo, personagem central da trama romanesca, protagoniza acontecimentos que lhe ferem profundamente a adolescência como aluno do primeiro ano do Liceu. Leia, a seguir, um fragmento da obra:
“[...] Agora a aula de desenho. Alfredo imagina-se sobre cubos, paisagens, as rosadas meninas do Cícero Câmara; lembrou-se: o professor Chiquinho, à sombra das ginjeiras carregadas, desenhando caligrafia, a abrir majestosas letras góticas. Ia, de sua parte, desenhar agora aquelas três árvores doutro lado do rio, ao pé da armação da draga, com um esbraseante tapuru sobre a ferrugem? Riscar um peixe uéua, um jandiá, oito horas da noite mordendo a isca? Ou a pixuneira lilás, e o rosto de Andreza, só uns traços, boiando do fundo, a gritar: passou por baixo de minha perna um sucuriju, foi, um deste tamanho, mas sou curada de cobra. E Alfredo toma um susto: invadindo a sala, um galego gorducho, bigodudinho, com uma pressa irritada, o bagulho amarelo, a bater a régua na mesa contra trinta e dois inimigos. – Menino! Menino! Silêncio na cocheira! A aula toda acuava-se, como se esvaziassem as carteiras, logo avançando, muda, a flechá-lo de ofensa e ódio. E o buldogue desceu para saber, com ferocidade e triunfo, quem não trazia papel de desenho, os materiais, os materiais. Quem não tivesse, fora quanto antes, fora quanto antes. Não tinha mas mas. Rua. Alfredo levantou-se, quis explicar. – Rua! Rua! Desentulhe a pocilga.”
JURANDIR, Dalcídio. Primeira manhã. Belém: EDUEPA, 2009, p.199-200.
*Ginjeiras: variedade de cerejeira (Nota do autor)
A discussão promovida pela obra de Dalcídio Jurandir, evidenciada no fragmento transcrito, está resumida corretamente em: