Leia a seguir a primeira estrofe do poema “O meu sepulcro”, de Gonçalves Dias.
Quando, os olhos cerrando à luz da vida,
O extremo adeus soltar às esperanças,
Que na terra nos guiam, nos confortam
E espaçam do porvir a senda estreita;
[5] Quando, isento de míseros cuidados,
Disser adeus às ilusões douradas,
Mas com elas também às dores cruas
Da existência – aos espinhos pontiagudos,
Com que a verdade o coração nos roça;
[10] Quando tocada não sentir minha alma
Da luz, dos sons, das cores, das magias,
Que a natureza pródiga derrama
No regaço da terra – mais ditoso
Serei acaso então? – Quando o meu corpo
[15] À terra, mãe comum, pedindo abrigo
Dos sepulcros no vale em paz descanse;
Hei de ser mais feliz porque mo cobre
Pomposo mausoléu, em vez da pedra
Sem nome, – em vez do túmulo de céspedes,
[20] Que s’ergue junto à estrada, e ao viandante,
Ao que ali passa, uma oração suplica?
Oh! não! – ao encalmado é grata a sombra;
Grato descanso aos membros fatigados
Presta igualmente a relva das campinas
[25] E os torrões pelo sol enrijecidos.
Como o trabalhador que a sesta aguarda,
O meu termo fatal sem medo espero!
Eu então pedirei silêncio à morte,
E fresca sombra à sepultura humilde,
[30] Que me receba, – e a cuja superfície
Morram sem eco da existência as vagas. [...]
(DIAS, Gonçalves. Poesia e prosa completas: volume único. Org.: Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 1998. p. 491-2.)
O auto de Natal pernambucano Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, apresenta algumas semelhanças temáticas com a estrofe acima transcrita, parte integrante do livro Últimos Cantos.
Assinale a alternativa em que estão corretas as aproximações entre as duas obras.