Sobre a emergência das ditaduras na América Latina na segunda metade do século XX, o historiador Francisco Carlos Teixeira faz as seguintes considerações:
“Não partilhamos a opinião daqueles que apontam uma continuidade secular, desde as guerras de independência, no início do século XIX, até nossos dias, dos regimes autoritários no continente, propondo uma linha de perfeita continuidade entre as ditaduras caudilhescas do século XIX e as ditaduras militares da segunda metade do século XX. A nosso ver, os regimes autoritários que se instalaram na América Latina logo depois da independência – e seriam modelares os casos da Argentina e do Paraguai – têm características próprias, suficientes para distingui-los dos regimes militares contemporâneos. Assim, as ditaduras latino-americanas não seriam nem enfermidades políticas nem tampouco estado patológico vigentes no continente sob a forma de uma tara ou incompetência ibérica, católica e barroca, como diria Caetano Veloso.”
Fonte: Disponível em: SILVA, Francisco Carlos Teixeira. Crise da ditadura militar e o processo de abertura política no Brasil, 1974- 1985. In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de Almeida Neves (orgs.). O Brasil republicano - v.4. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
Sobre os argumentos explicitados nesse trecho, é correto afirmar que