Qualquer criança confessa. Ou pela pressão da verdade ou pela ameaça das informações desencontradas.
A confissão não expressa maturidade. Tem que ser adulto mesmo para arcar com as consequências de seus
atos e pagar a pena (que leva em conta a mentira e também o tempo que manteve a mentira).
Diante da quebra de lealdade no relacionamento, a sinceridade do arrependimento depende da contundência da
mudança e rápida e emocionada disponibilidade para a retratação. Não pode haver vacilação e dúvida. Rompe-se
radicalmente com o que trazia dor e duplicidade, recusam-se barganha e atenuantes, é deixar uma vida para trás e
nascer de novo. Exige uma combinação enérgica de resistência emocional e determinação, para provar que nada
se repetirá.
Pois se mostrar arrependido é diferente de cumprir o arrependimento.
O primeiro é um estado provisório, que pode ser da boca para fora, provocado pelo medo de perder alguém.
Uma promessa, simplesmente, acalmando os ânimos acirrados.
O segundo é um processo de resiliência, definitivo, para resgatar a igualdade e cicatrizar a confiança daquele
que se magoou. É quando transformamos a dívida em responsabilidade, quando transformamos o castigo em
justiça, quando aceitamos repor as perdas e recuperar o direito de falar. Alinha-se a consciência novamente ao
discurso.
Amadurecimento é corrigir o que foi feito de errado pela dedicação, pelo trabalho, dar o exemplo de
integridade em sequência, sem jamais desistir. Com humildade, aguentar a desconfiança e a suspeita de quem
feriu. Não desfrutará de meias-palavras, nem de um silêncio agradável: é o caso de se apresentar transparente na
intenção e didático nos pensamentos.
Por um longo período, você que errou passará a ser o único a confiar em si, e não conhecerá dias leves. Estará
em desvantagem nas conversas, precisará prestar satisfações e confirmar horários. A reincidência estará sorrindo à
sua frente quando chora e se contorce de culpa. Terá vontade de retornar ao que era, onde mentia, fazia o que
queria e não devia nada a ninguém.
Pedir desculpa é fácil e indolor, diria que é um suspiro letrado, mas carregar “eu errei” todo o dia nas costas
que é árduo e tarefa para fortes.
Tudo pode ser consertado. Tudo. Desde que se entenda que desculpa é para crianças, e reabilitação é para
adultos. Será obrigado a crescer.
Qual alternativa justifica corretamente o emprego do acento indicativo de crase no trecho adaptado que segue?
Terá vontade de retornar à infância, quando mentia.