TEXTO:
Por dentro e por fora
A intolerância é responsável por grandes
crimes cometidos pela humanidade. O preconceito,
a arrogância e a incapacidade de aceitar diferenças
são traços marcantes na história dos povos e dos
[5] homens. Mesmo após séculos de guerras — todas
inflamadas pelos mais ínfimos motivos —, ainda
assistimos ao massacre terrível da própria condição
humana. Ainda depois de construída uma civilização
altamente complexa, tecnológica, racional, temos
[10] que conviver com a miséria absoluta e a violência
explosiva. Parece que em algum ponto a humanidade
insiste em errar.
Se a filosofia conseguiu algum avanço neste
século — premida em grande parte pela derrocada
[15] da discussão ideológica —, foi no sentido de afirmar
o direito à pluralidade. Uma vitória considerável do
humanismo, em contraposição ao erro secular de
impor pontos de vista, culturas, religiões ou modelos
socioeconômicos.
[20] Não é de se admirar a dificuldade em conviver
com o que é diferente ou minoritário. O senso
comum, vício de se abrigar na opinião da maioria, é
forma covarde, mas eficiente, de qualquer pessoa se
manter incluída na família, no grupo e, até mesmo, na
[25] chamada civilização. Mas os sinais desse processo
constante de assimilação e afirmação se manifestam
de forma quase sempre sutil e silenciosa.
O Brasil, basta observar, é um país de
excluídos. Milhões de pessoas sobrevivem à
[30] margem da sociedade, apartadas econômica, social
e culturalmente. O desemprego tem sido a mais
humilhante dessas manifestações de crueldade. Mas,
aos poucos, de forma muito tímida, uma de nossas
maiores exclusões, a escolar, vai sendo combatida
[35] (embora ainda haja muito por fazer, até que a última
das crianças tome assento em um banco escolar).
Inclusão. Essa é uma palavra que precisa
ser mais bem definida — e mais praticada. Não há
razão para que alguém seja de antemão descartado,
[40] isolado, oprimido, negado. Que lugar reservamos para
o pobre, a criança, o idoso, o negro, o doente, o portador
de deficiência física ou mental? Quem tem autoridade para
estabelecer a quem pertence este mundo que todos
constroem? Ninguém pode ficar de fora.
EDUCAÇÃO, ano 26, n. 224, p. 11, São Paulo: Segmento. Editorial. s.d.
A alternativa que registra uma afirmativa improcedente é a