O comentário abaixo refere-se à obra Campo Geral, de Guimarães Rosa:
A riqueza do texto rosiano não se deve apenas à sua sofisticação linguística, mas à elaboração delicada de seus enredos. Rosa escreve amiúde por parecenças. Tomem-se as seguintes situações. Dito defende Miguilim da bulinagem de Patori. Miguilim, mais tarde, defende o Grivo de Liovaldo. A atitude de Dito é retomada por Miguilim. [...]
(FERNANDES, Fabiano. Per speculum ∈ enigmate: “Campo Geral”. DUARTE, L. P. [org.]. Veredas de Rosa II. Belo Horizonte, CESPUC, 2003, p. 238.)
Considere as afirmativas acerca da linguagem e do enredo de Campo Geral:
I. Mutúm, lugar onde mora Miguilim, ao mesmo tempo em que é de fato o nome de uma região de Minas Gerais, é um palíndromo que reproduz, formalmente, a ideia de ponto central; o paralelismo entre as ações de Dito e Miguilim está associado à caracterização do protagonista, que vai aos poucos se tornando mais independente, em especial após a morte do irmão Dito.
II. O narrador em primeira pessoa imprime realismo à narrativa, à medida que compartilha com o leitor as memórias de seu tempo de infância, recorrendo, por vezes, a um vocabulário típico de uma criança; o paralelismo entre as ações pode ser percebido em outros momentos da trama, como nas diversas vezes em que Miguilim entra em confronto com o pai para defender o irmão mais novo.
III. A combinação de neologismos com a norma erudita gera uma linguagem inusitada que remete a um contexto de fantasia afinado com o discurso surrealista; o paralelismo entre as ações das personagens organiza toda a narrativa, com mocinhos e vilões se alternando em seus papéis, o que pode ser ilustrado pela trajetória de redenção moral de Miguilim e de degradação moral de seu pai.
Está correto o que se afirma APENAS em