Leia o texto de João Batista Libânio para responder à questão.
A autonomia tornou-se o ponto inquestionável e irreversível da modernidade e pós-modernidade. Desde a idade mais pequena, a criança já se percebe como sujeito de desejos, vontades, decisões que quer que sejam respeitados pelos pais, professores e adultos em geral. Não aceitam que autoridade de fora, de qualquer natureza que seja, lhe fira a própria lei pessoal, isto é, a autonomia, que significa: auto (própria) + nomos (lei).
Todos se sentem sujeitos e não suportam ser tratados como objetos. Princípio importante para criar imaginário de igualdade, de respeito, de direitos reivindicados. No entanto, falta a contrapartida de toda autonomia, de todo direito e respeito exigidos. Reconhecer a autonomia do outro, cumprir os próprios deveres em relação à sociedade e assumir a responsabilidade pelos próprios atos. Esse outro lado da moeda constitui-se o maior desafio da educação.
Ele só se torna possível se os educadores – pais e escola – mostrarem que autonomia sem responsabilidade dos próprios atos não passa de anarquia destrutiva da possibilidade do convívio humano, social e, no fundo, da própria autonomia. Autonomia só se autossustenta com responsabilidade.
E há passo ainda mais difícil. O aprendizado da responsabilidade passa pelo limite. Se a pessoa não sabe impô-lo a si mesmo, alguém deve fazê-lo. Esse alguém são, em primeiro lugar, os pais. E, em seguida, a escola. O limite na escola chama-se disciplina. Portanto, sem disciplina não há responsabilidade. Sem responsabilidade não há autonomia humana e sociável. Do contrário, teríamos aquele mundo que o inglês Hobbes temia: cada ser humano será um lobo para o outro. Sem responsabilidade e limites, imperará a violência bruta, estúpida, sem lei nem grei. E a convivência se tornará cada vez mais difícil, o medo maior, a vida insuportável. Um pouco desse cenário se desenha nas grandes cidades. A reversão começa na família e na escola.
(http://domtotal.com, 18.07.2012.)
“Ele só se torna possível se os educadores – pais e escola – mostrarem que autonomia sem responsabilidade dos próprios atos não passa de anarquia destrutiva da possibilidade do convívio humano, social e, no fundo, da própria autonomia.” (3o parágrafo)
De acordo com o sentido e a coerência interna do texto, o pronome destacado pode ser corretamente substituído por