Leia o trecho do ensaio de Luiz Bras para responder a questão.
Muito já se escreveu sobre a relação lúdica e mágica que sempre se estabelece entre o leitor pequeno e certos livros a ele endereçados, quando finalmente se encontram e desse encontro escapam fogo e faísca. Relação tão mais lúdica e mágica quanto mais inventivo e sedutor for o livro que o pequeno leitor estiver lendo. Também muito já se escreveu sobre a relação igualmente lúdica e mágica que sempre se estabelece entre o leitor adulto e certos livros a ele endereçados, quando finalmente se encontram e desse encontro escapam fogo e faísca. A maneira positiva e até mesmo a maneira negativa como certas obras são recebidas pelo público a que são destinadas interessam não só à teoria da recepção mas também à história da literatura, à sociologia, à psicologia, à filosofia e a tantas outras disciplinas do conhecimento humano. Porém não tenho notícia de nada escrito sobre a relação lúdica e mágica que sempre se estabelece entre o leitor adulto e certos livros escritos para as crianças ou para os jovens, quando finalmente se encontram e desse encontro existencial escapam fogo e faísca. Adultos saboreando livros infantis e juvenis é algo que parece não interessar a muita gente, mesmo que o prazer provocado por essa leitura seja tão intenso quanto o prazer provocado pela leitura do mais refinado romance do momento. Adultos saboreando livros infantis e juvenis é algo geralmente aceito com leve impaciência. É algo que, por pertencer à coleção de pequenas excentricidades que todos nós cultivamos ao longo da vida madura, pode muito bem ser tolerado pelos amigos e pela família, desde que não fuja do controle e não vire mania ou fetiche. C. S. Lewis parece não ter sido levado a sério quando disse certa vez que “uma história para crianças de que só as crianças gostam é uma história ruim”.
(Muitas peles, 2012.)
Segundo o texto, a leitura de livros infantis