Considere o texto abaixo para responder à questão.
De origem operária, o escritor D.H. Lawrence (1885-1930) foi vilipendiado por obscenidade. O Amante de Lady Chatterley, seu romance mais conhecido, escrito em 1928 e proscrito como pornografia, só foi publicado na Inglaterra em 1960.
Sua reputação teve altos e baixos. O escritor irlandês James Joyce o considerava um péssimo escritor, talvez em retribuição às palavras que Lawrence reservara à “total falta de espontaneidade” de sua obra.
Para Lawrence, o romance genuíno é o que contradiz o autor, suas ideias e vontades, estabelecendo uma relação nova com o mundo. Uma ideia de difícil compreensão, ainda mais hoje, e não só para o academicista ou o moralista de plantão, agarrados a normas, que são a antítese da liberdade e, portanto, segundo Lawrence, também do romance.
Escaldado pela sanha moralista, Lawrence revida com o exemplo do romance Anna Kariênina, do escritor russo Liev Tolstói: o personagem “Vrónsky peca, mas a consumação do pecado é desejada com devoção. O romance torna isso óbvio, apesar das ideias conservadoras do velho Tolstói”.
O que seria dos romances de Tolstói sem o pecado? “Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. Tudo se move. Aí está a grandeza do romance. Ele não deixará ninguém contar mentiras didáticas.”
O romance é, assim, a expressão de uma dinâmica que contradiz tanto a autoimagem do autor como a do leitor. Por isso ele incomoda. Da mesma forma, os girassóis do pintor Van Gogh não são nem o retrato de girassóis nem o do pintor, mas o resultado de uma relação intangível entre os dois.
No romance “tudo é verdadeiro no seu tempo, lugar e circunstância; e tudo é falso fora do seu lugar, tempo e circunstância. Faz parte da enganação de praxe dizer que a arte é imoral”.
(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Folha de S.Paulo, 31/10/2020.)
Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. (5º parágrafo)
Depreende-se dessa citação de D.H. Lawrence que o homem é, por natureza,