E quando lhe perguntaram sobre a existência verdadeira daquele sentimento que move o mundo, o Mestre falou: qual é mesmo esse sentimento? Olha, verdadeiro ou não, minha resposta está na literatura e esta é real, mas, assim como o tempo, a literatura se move e se transforma. Houve um poeta que pintou esse sentimento como
1) “ [...] um menino vendado,
Com uma aljava de setas,
Arco empunhado na mão;
Ligeiras asas nos ombros,
O tenro corpo despido,
E de Amor, ou de Cupido
São os nomes, que lhe dão.”
Outro, porém, debateu-se no tormento para entendê-lo:
2) “Incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido.”
Há situações, também, em que esse sentimento irrompe como forma de disputa e desejo desses
3) “[...] hominhos desesperados
sempre com sede com febre com tosse
sobretudo famélicos de um naco de carne
arre danação maldita da carne [...].”
Ou, então, ele vem em forma de saudade, pela vontade de quem, no exílio, sonha com sua terra natal:
4) “Visões que n’alma o céu do exílio incuba
Mortais visões! Fuzila o azul infando...
Coleia, basilisco de ouro, ondeando,
O Níger... Bramem leões de fulva juba.”
Qual é mesmo o sentimento que move o mundo? Pode ser este:
5) “A ti trocou-te a máquina mercante,
que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante.”
Em todo o caso, o poema Com licença poética, ao fim e ao cabo, explora um sentimento que é, além do mais, um modo de ser:
6) “Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos [...].
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.”
Com base no texto acima, assinale a alternativa correta.