E se... a temperatura do corpo humano fosse a ambiente?
Ao longo de sua evolução, os mamíferos adotaram a endotermia, isto é, temperatura constante e relativamente alta (cerca de 37 °C), como uma de suas estratégias de sobrevivência. Ela nos trouxe uma grande vantagem: a capacidade de responder com maior rapidez a estímulos externos, seja para a captura de uma presa, seja para fugir de um predador. Isso ocorre porque nossa temperatura acelera as reações químicas das células, responsáveis pela produção de hormônios, como a adrenalina, que nos fazem reagir com agilidade. A endotermia também permite que as aves e os mamíferos se adaptem e vivam com mais facilidade em qualquer canto do mundo.
Se tivéssemos, no entanto, seguido o caminho evolutivo dos peixes, répteis e anfíbios, e adotado a ectotermia, teríamos um ciclo reprodutivo mais restrito: os humanos não poderiam ter filhos na hora em que bem entendessem. As mulheres teriam cio, para que os bebês nascessem na primavera, quando há mais comida disponível e o clima é mais quente. O aparelho reprodutor também seria diferente. Os testículos do homem seriam internos. “Nós só temos um saco escrotal porque a espermatogênese requer que a temperatura dos testículos seja de 5 °C a 6 °C menor do que a do corpo”, diz o médico Eduardo Cunha (USP).
Teríamos uma aparência inusitada para nossos padrões. A obesidade não existiria. Paradoxalmente, seríamos barrigudos. A incapacidade de controlar a própria temperatura supõe a ausência da camada de gordura subcutânea, poderoso isolante térmico comum nos mamíferos, que diminui ao mínimo a troca de calor com o ambiente. Sem ela teríamos a pele colada nos músculos. Mas ganharíamos um enorme bucho. O único lugar para a reserva de gordura nos animais ectotérmicos são as vísceras, daí o aumento da barriga.
Como se não bastasse seríamos lentos de raciocínio. Hoje temos um cérebro e um sistema nervoso bem desenvolvidos, mas pagamos um alto preço por isso. “Dois por cento do nosso peso correspondem aos tecidos nervosos”, explica Eduardo Cunha. “Eles são responsáveis, no entanto, pelo consumo de 25 % de todo oxigênio que respiramos e de 75 % da glicose, nosso combustível. Isso revela um metabolismo muito alto. Segundo Mauro Griggio, da Universidade Federal de São Paulo, enquanto um coelho de 2,5 kg consome 120 kcal por dia, uma tartaruga com o mesmo peso necessita de apenas 12 kcal. “A vantagem do coelho é um funcionamento mais estável e independente do ambiente”, explica. Assim, é bem provável que,se fôssemos ectotérmicos, nunca tivéssemos passado de um bando de lagartos bípedes.
(Adaptado de SILVEIRA, Evanildo. Superinteressante, out.2000.)
De acordo com o texto acima e com os conceitos que você estudou em Física, assinale (V) ou (F), conforme estejam verdadeiras ou falsas as afirmativas e identifique a sequência correta.
( ) No verão, uma pessoa obesa tende a sentir menos calor do que uma pessoa magra, porque sendo a gordura um isolante térmico, esta vai isolar o obeso da temperatura ambiente.
( ) Se uma pessoa com 70 kg de massa tivesse o metabolismo de uma tartaruga, necessitaria aproximadamente de 840 kcal por dia para se manter.
( ) Se uma pessoa com 70 kg de massa tivesse o metabolismo de um coelho e se a glicose fosse a única fonte de energia, os tecidos nervosos desta pessoa consumiriam então 2520 kcal de energia.
( ) Nos animais endotérmicos, como os mamíferos, a superfície do corpo funciona como paredes adiabáticas.
( ) Os animais ectotérmicos equilibram a temperatura dos seus corpos com a do meio ambiente através da queima de gorduras subcutâneas.
A sequência CORRETA é