O poema ''Implosão da mentira'', de Affonso Romano de Sant‘Anna, é composto de 5 fragmentos e faz parte do livro ''Implosão da mentira e outros poemas'', pela Editora Global. Leia, com atenção, os Fragmentos 1 e 5 desse poema para responder ao que se pede.
Fragmento 1
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Fragmento 5
Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode implosiva.
Sobre esses dois Fragmentos, julgue os itens a seguir.
I. Em virtude do efeito poético pretendido, o poeta aproxima expressão e conteúdo.
II. Como recurso poético, o poeta recorre ao uso de paradoxos, ironias e prosopopeias.
III. Em virtude da ubiquidade da mentira, o poeta tem no poema um espaço para a resignação.
IV. Para demonstrar o desejo de uma verdade romantizada, o poeta vale-se da metalinguagem.
É CORRETO o que se afirma em