VASO CHINÊS
Estranho mimo, aquele vaso! Vi-o
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura –
Quem o sabe? – de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura;
Que arte, em pintá-la! A gente acaso vendo-a
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.
Os fragmentos a seguir compõem um parágrafo do texto Arte descartável, de Ferreira Gullar, publicado na Folha de S. Paulo, em 24 de janeiro de 2016. Numere-os de modo coerente e coeso.
_____ Não se trata de exigir que a realização artística tenha de obedecer a normas e princípios, o que no passado definiu a obra de arte.
_____ Desde a revolução impressionista, no final do século 19, isso foi abolido, passou-se a valorizar a liberdade criadora e a inovação.
_____ No fundo, considerar que a criação artística dispensa a elaboração de uma linguagem é aceitar que a arte acabou.
_____ Foi o que abriu caminho para esta supervalorização da expressão eventual sobre a elaboração da linguagem.
_____ Para mim (e para os que pensam como eu), chamar de arte o que não é fruto da elaboração de uma linguagem torna-se difícil, até mesmo impossível.
_____ Esse fato está ligado à desvalorização do trabalho artesanal em face da hegemonia das tecnologias industriais, que caracteriza a época atual.
A sequência CORRETA é a seguinte: