Armas demais*
1. A disparada da taxa de homicídios em Porto Alegre não deixa dúvida de que o descontrole da posse e
2. do porte de armas é um dos fatores preponderantes nas tragédias urbanas. Repete-se sempre em momentos
3. como este o argumento de que não são as armas que matam, mas as pessoas que as manipulam − essas
4. pessoas, porém, têm suas ações facilitadas pelo porte legal ou ilegal desses equipamentos. É evidente que o setor
5. de segurança tem falhado, em todo o Brasil, em relação ao cumprimento das restrições para que alguém seja
6. proprietário de uma arma de fogo e, mais ainda, que possa portá-la sem constrangimentos.
7. Falham também as leis e a Justiça, quando pessoas armadas, flagradas nas ruas, não se submetem a
8. punições mais drásticas e voltam a desafiar as autoridades e a atormentar as comunidades. Constata-se que
9. essa é uma realidade nacional, a partir das estatísticas da violência. É assustador que, a cada meia hora, uma
10. pessoa seja assassinada nas capitais brasileiras, que concentram os piores índices de criminalidade. E não há
11. mais dúvida de que as vítimas não são apenas delinquentes eliminados por outros marginais, o que já seria
12. uma barbárie, mas também pessoas comuns, muitas das quais atingidas por balas perdidas.
13. O debate sobre a desproteção da sociedade faz com que ressurja a hipótese de assegurar o amplo
14. direito de defesa de todos pelo acesso a armamentos. A solução, no entanto, certamente está muito mais em
15. aprimorar as políticas e as ações de segurança e exercer controle rigoroso sobre o uso ilegal e banalizado de
16. armas, com repressão e punição, do que em transmitir ao cidadão a sensação controversa de que sua defesa
17. depende do arsenal particular que tiver em casa.
*Texto publicado no jornal Zero Hora, em 01 out. 2015. Disponível em http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/opiniao/noticia/2015/10/armas-demais-4859707.html. Acesso em 01 out. 2015. Adaptação.
Em relação ao conteúdo do texto, assinale a única alternativa correta.