No capítulo Campo de concentração de Quixeramobim: a seca de 1932 e o curral da fome, os historiadores, José Ailton Brasil de Lima e Francisco Chagas da Silva Neto utilizam epígrafe de um poema escrito por Patativa do Assaré, e escrevem:
“A seca é um dos fenômenos mais recorrentes no semiárido brasileiro [...] A seca deixou de ser apenas um fenômeno climático e passou a fazer parte da estratégia política transformando-se em uma indústria beneficiando uma elite rural que via nessa pequena parcela de pessoas que viram nesse fenômeno uma oportunidade para enriquecer com a conivência e participação dos políticos passando pelas esferas dos governos municipais, estaduais e federais fazendo surgir a estrutura do coronelismo e sua força oligárquica transformada no voto de cabresto.”
(LIMA, Jose Ailton Brasil; SILVA NETO, Francisco Chagas da. Campo de concentrac ̧ ́ ao de Quixeramobim:clima, josé ailon brasil silva neto, francisco chagas da. campo de concentração de quixeramobim: a seca de 1932 e o curral da fome, ln: alves, valdecy. ceará: múltiplas visões e reverberações contemporâneas. fortaleza: expressão gráfica e editora. 2022)
Quando ela via o angá
Todo dia demanhã
Ou mesmo o rôxobejú
Da goma de mucunã
Sem a comida querê
Oiava pro dicumê
E o meu coração doía
Quando Nanã me dizia:
Papai, ô comida ruim!
(ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que canto cá, 14, ed. Petrópolis: Vozes,2003)
Tanto o poeta cearense Patativa do Assaré, quanto os historiadores citados expressam passagens que denunciam a existência da fome em decorrência de fatores climáticos e políticos. À fome é tomada aqui enquanto fenômeno histórico presente na realidade do interior profundo do Brasil.
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