Leia os excertos a seguir, retirados de Sagarana, de Guimarães Rosa, e analise o que se afirma a respeito deles.
I.
Sagarana
“- P’ra que é que há-de haver mulher no mundo, meu Deus?!...
- Hein?!...
Primo Argemiro estremece. Tinha pensado alto. E agora Primo Ribeiro está espiando para ele, meio espantado, [...]. Há muito que jogou para um lado o cobertor e voltou-se a sentar no cocho. Passado o frio, passada a tremura, vem a hora de Primo Ribeiro variar. Primo Argemiro não gosta. Não se habitua àquilo. Ele, nos seus acessos, não varia nunca: não tem licença: se delirar pode revelar seu segredo.”
O segredo a que se refere Primo Argemiro, no conto Sarapalha, é o amor que ele sente pela mulher do Primo Ribeiro.
ROSA, J. Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 165-6.
II.
“- Escuta, mano velho...
Seu Joãozinho Bem-Bem parou em frente a Nhô Augusto, e continuou:
- ... eu gostei da sua pessoa, em-desde a primeira hora, quando o senhor caminhou para mim, na rua daquele lugarejo... Já lhe disse da outra vez, na sua casa, mas eu sei que já deve de ter sido brigador de ofício. Olha: eu, até de longe, com os olhos fechados, o senhor não me engana: juro como não há outro homem p’ra ser mais sem medo e disposto para tudo. É só o senhor mesmo querer.
- Sou um pobre pecador, seu Joãozinho Bem-Bem...”
A cena que se segue ao diálogo culmina em uma briga de faca entre os dois jagunços, sendo que Augusto Matraga acaba morto, enquanto Bem-Bem cumpre com sua vingança, no conto A hora e a vez de Augusto Matraga.
ROSA, J. Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 406.
III.
“Bem, quinta-feira de-manhã, Turíbio Todo teve por terminados os preparativos, e foi tocaiar a casa de Cassiano Gomes. Viu-o pela janela, dando as costas para a rua. Turíbio não era mau atirador; baleou o outro bem na nuca. E correu em casa, onde o cavalo o esperava na estaca, arreado, almoçado e descansadão.
Nem por sonhos pensou em exterminar a esposa (Dona Silivana tinha grandes olhos bonitos, de cabra tonta), porque era um cavalheiro, incapaz da covardia de maltratar uma senhora, e porque basta, de sobra, o sangue de uma criatura, para lavar, enxaguar e enxugar a honra mais exigente.”
ROSA, J. Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 178-9.
O conto Duelo narra o périplo de Turíbio, o marido traído, até conseguir encontrar o ex-amante da esposa e exterminá-lo a tiro, como a cena lida descreve.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)