Considere o texto para responder à questão.
TEXTO
Valdemar tentava se defender. Corria pelos cantos. Toda vez que tentou fugir pela porta onde ela estava, ganhava um direto que o jogava no chão.
Era tudo o que tinha de ter feito quando Valdemar começou a bandear: agir de acordo com sua experiência de vida, de saber que o filho precisava de um corretivo de pai ou de pessoa de mesma representação. Isso mesmo. Pancada de homem mais velho que figurasse no papel de genitor para curar vagabundo. E só não procurara os parentes do finado antes por ter a sensação de que seria desprezada pelo fato de ter brigado tanto com Ernesto no final da vida dele. Quando o desgraçado se meteu na zona (...) E por isso agora, com a mente certa, saiu de rota batida, foi buscar ajuda dos parentes de Ernesto, aqueles que poderiam já havia muito tempo ter assumido o lugar de pai: o irmão mais velho do marido, o mais novo, que era seu compadre, além de três tios e do avô de Valdemar.
Eles não ligaram para o sangue que saía de várias partes do corpo do vagabundo. O avô batia de cinto e os outros davam socos e bofetadas no imprestável, que foi amolecendo, perdendo os sentidos. Mesmo assim, continuavam a bater, com Tia Amélia incentivando, até que o rapaz desfaleceu. A mãe pegou um balde de água de chuva, o jogou no rosto do filho. O famigerado acordou e, gemendo feito gato na chuva, começou a ouvir a ladainha de seus agressores.
__ Se ficar de viadagem, vai entrar no sal de novo – avisou o padrinho.
O desmerecido agora escutava sem dar um gemido sequer, até jurar que nunca mais iria pôr o pé na zona, parar com o jogo, a bebedeira, a malandragem, o canivete, a capoeira. Ia procurar trabalho.
Paulo Lins. Desde que o Samba é Samba. São Paulo: Editora Planeta, 2012. p. 23-24. (Fragmento).
Assinale a alternativa que apresenta uma inferência INCORRETA sobre o texto 3.